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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Périplo Europeu


E é assim, passa-se de intermitências a périplos.

Anteontem fiz Las Palmas e Hamburgo. Ontem, vim para Bruxelas. Hoje, mantive-me por cá e fui revisitar Leuven ou Louvain (consoante os nacionalismos prementes desta unida Europa prefira). Amanhã continuarei a ir por aí...

O destino é a espuma do Atlântico que só sabe espraiar as suas ondas com beleza nas costas lusitanas, criando o tapete para a caminhada que trouxe e traz sempre "novos mundos ao mundo".

Os périplos não são só viagens. São também viagens em nós e para nós, desde que saibamos ir "formosos e não seguros" do que antecipamos encontrar. Sempre que possa, encontrar-me-ei por aqui também...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Contrastes e regressos


Venho de um país onde os transportes públicos funcionam mas onde toda a gente também se queixa.
Venho de uma cidade onde também se fica parado em horas de filas intermináveis, nas lojas, nas estradas, em tudo.
Venho de uma rua alimentada a crédito que, de tão cheia de consumismo natalício, tem de ser fechada ao trânsito.
Venho de uma capital onde se abrem túneis de metropolitano à noite para que o dia não encontre cadáveres sem-abrigo.
Venho de um céu que sabe soprar gelo e que é demasiadamente noite durante o curto dia.

Chego a um país onde o inverno é suportável pela alma.
Chego a um aeroporto onde ainda não nos tratam como terroristas.
Chego a um restaurante onde a comida sabe a comida e onde, mesmo sem se ser rico, é possivel pagar a conta.
Chego a um rio que tem cor de água e que sabe correr bem, porque o mar está perto.
Chego a minha casa.

Regresso ao meu país.

Gosto dele, mesmo que não seja do “primeiro mundo” como o outro.

Porque não pode ele ser desse mundo sendo também como é?

Deve ser por andar ao contrário do outro, em faixa contrária. Mas é que é mesmo por isso. De certeza. Andamos todos, nós e eles, ao contrário. Não os países, as pessoas...

(foto gentilmente cedida pela máquina fotográfica de pilhas recarregáveis do Agridoce)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

London...revisited (once again)

Estarei em terras de Sua Majestade por uns dias. É claro que vou sem licença para matar e sem um Aston Martin cheio de gadgets, mas prometo beber uns Vodka Martini por todos vocês...ou há falta disso, uns single malt dos teimosos tipos da Escócia! Ah...e a Bond Girl já vai comigo, hehehe!

A minha distância cá do burgo talvez refreie a escrita aqui no blog (que não no caderno de papel). Mas vocês precisam de férias de mim...quase tanto como eu!

Abraços e beijinhos...mas cada um a cada qual

quinta-feira, novembro 23, 2006

SS Thistlegorm


Começa de madrugada, com o transporte ondulante e o som de garrafas de ar comprimido a saudarem-se em abraços de metal na entrada do barco. É uma azáfama precoce, que nos tenta acordar os sentidos para melhor saborearem o que o dia nos reserva. O deck superior é uma enorme almofada de sono, com lençóis de toalhas de praia que nos enroscam carinhosamente e são armadura para a intensa brisa matinal do Mar Vermelho. Uma brisa que nos vai despedindo Sharm El-Sheik e apresentando uma costa mais larga, rumo a sul.

Há pinceladas de um sol que já se espreguiçou e se levanta de chinelos pelo céu, começando a queimar quem se exponha em descuido nestas latitude. Passadas estas horas de viagem, o cheiro do café e do pequeno almoço na cabina do piso inferior convidam ao repasto matinal. É também sinal que chegámos à entrada do golfo de Suez, esse irmão desavindo de um outro, o de Aqaba. Estes dois golfos enclausuram o Sinai entre águas turquesas, onde a aridez da superfície das montanhas e do deserto contrasta com a vida exuberante das suas profundezas.

Não fossem os outros dois barcos de mergulho que ali estavam fundeados e aqui pareceria ser mais um local igual a todo o resto do mar. No entanto, aquele era o nosso destino. Um destino breve de apenas um dia para nós, um destino eterno para o SS Thistlegorm que ali pereceu no ano de 1941, em agonia, vítima de um avião nazi que regressava à base com bombas em excesso.

Amr, o nosso guia egípcio, mergulha antes de todos para se assegurar que um cabo-guia estaria seguro à balaustrada da carcaça prometida mas ainda invisível. Um a um, fomos entrando em passo de gigante e descendo. A início é apenas o azul. Aquele azul que devora e nos arrasta os olhos, intrigante e sedutor. E depois ele aparece, estendido nas areias, destroçado a um terço da popa, onde o metal lhe permite uma rotação para bombordo. Mais uma vez, entendo porque os ingleses tratam os barcos no feminino. Porque não são corpos másculos, mas sim silhuetas femininas que torneiam as ondas na superfície com a mesma elegância que jazem no fundo. Numa cama de areia. Convidando. Ali estava ela: SS Thistlegorm!

Há sítios onde o tempo se move em caminhos diferentes dos do dia a dia. Aqui é um desses sítios. Imóvel e solene, este destroço de 419 pés de calado (128m) e de 59 pés (18m) de boca, pesando cerca de 5.000 toneladas, abriga vida marítima em danças de peixes à volta do convés. Lá dentro, nos porões, espera-nos uma carga com camiões Bedford, motas BSA, espingardas, obuses, pequenas locomotivas e toda uma panóplia de fornecimentos exigidos para alimentar o monstro da Segunda Guerra Mundial. Circundamos o casco, com maior fervor na direcção proa-popa porque a corrente se faz sentir. Na direcção inversa, dobrando a popa inclinada nestes 30 metros de profundidade e prestando homenagem ao hélice, basta-nos deixar flutuar e viver o cenário.
O interior reserva uma visita à zona de cabinas, sem esquecer o quarto do Comandante. Os corredores. Os porões. O castelo de proa.
E somos peixes. Entendemos porque brincam eles à apanhada entre as escadas e nos convés. Tornamo-nos parte da cena por instantes. E, quando pela ausência de guelras, a reserva da garrafa nos obriga a voltar ao ar puro da superfície, subimos pelo mesmo cabo que antes nos afogou num sorriso descendente. Morremos como criaturas marítimas e regressamos para poder contar como é ser peixe e perceber porque não precisam eles de falar...

domingo, outubro 22, 2006

E onde se começou a "saxar"?

Hoje estive por aqui...sim, num sítio onde nasceu quem fez nascer o saxofone!

É fácil descobrir onde é!

E vale a pena, por se sentir que o rio deve ter dado alguma inspiração ao criador desse inseparável metal jazzista, pelo cuidado das ruas, pela continuidade da boa cerveja, pelo vislumbre da fortaleza altaneira onde se imaginam os frios e terríveis dias da Batalha das Ardenas. E por saber que continua a valer a pena ir ouvindo o ritmo dos sítios onde se viaja...